Na Prática: Marcel Ziul

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Na Prática: Marcel Ziul

O “Na Prática” de hoje é com um guitarrista que vem se destacando tanto por sua musicalidade como por seus timbres. Conheça um pouco mais sobre Marcel Ziul!

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Pedais & Efeitos: Quando e como você começou a se interessar por Guitarras?

MZ: Me interessei pela música desde muito pequeno. Tive a oportunidade de estudar violino na escola nos EUA quando tina uns seis ou sete anos, e me apaixonei por estudar o instrumento, tirar músicas, buscar timbres. O violino é um instrumento ingrato; poucos dias sem estudo e eu demorava semanas para me recuperar. Por isso tirava as melodias de músicas populares; estudar com partitura era entediante demais. 

Quando tinha doze anos, fiz uma audição para determinar se seria primeiro ou segundo violino na orquestra da escola. Toquei “Stand By Me” de Ben E. King e fui relegado ao segundo violino por não ter apresentado uma peça erudita e não ter lido partitura. 

Queria muito poder tocar e cantar, e numa viagem ao Brasil, encontrei um velho violão DiGiorgio na casa da minha avó. Meu primo George, excelente guitarrista, me mostrou uns acordes e eu comecei a transpor o que havia aprendido sobre escalas ao braço do violão. Com treze anos ganhei minha primeira Stratocaster, montei uma banda e comecei a compor.

Pedais & Efeitos: E qual foi o seu primeiro pedal?

MZ: Meu primeiro pedal foi um Dunlop Cry Baby GCB-95. Comprei quando tinha uns 14 anos e tenho ele até hoje. É claro que ele foi muito modificado, (com a ajuda de Márcio Balista, da Vidikon, em Campinas, SP). Mandei cromar, troquei um monte de coisa no circuito. Ele tem valor sentimental, então apesar de ser o melhor pedal de wah que já ouvi, ele fica em casa enquanto faço shows com meu RMC.  

213-e1325529285919Pedais & Efeitos: Como foi o processo de amadurecimento e busca pelo “timbre ideal”? Você já conseguiu encontrá-lo?

MZ: Acho que amadurecimento e saber o que temos que fazer para conseguir certo tipo de som. Saber o que um determinado pedal, amplificador, ou até um cabo pode fazer com o som de antemão. Isso vem de experiência em ouvir e tocar com muita coisa. Tive muita sorte em conhecer outros fãs de timbre que queriam conversar e experimentar. Uma dessas pessoas foi o Luis ‘Granja’ Venturin, que produziu quase tudo que gravei. Juntando nossas coleções de equipamentos, e tudo que trocamos e vendemos com lojas e amigos, tive a oportunidade de experimentar muito equipo. No entanto, temos que lembrar que o timbre vem do músico e de suas mãos antes de mais nada, e o amadurecimento musical através de muita dedicação é fundamental. 

Quanto ao timbre ideal, acho que isso não existe. Os aspectos de timbres que eu consigo modificar eu uso para atender uma determinada música. Cada vez mais o meu timbre reflete a maneira como eu me sinto. Tenho buscado definir o meu timbre, e não deixar que o meu timbre me defina.

Pedais & Efeitos: Você sofre de GAS (Gear Acquisition Syndrome)?

MZ: Já sofri um pouco – não muito. O meu transtorno foi ficar fuçando demais e modificando coisas. Já levei muito choque dentro de amplicador.  

Pedais & Efeitos: Você pode nos falar como está o seu board hoje? Está totalmente satisfeito ou cogita alguma mudança?

MZ: Tenho vários pedais guardados, como o wah que mencionei e algumas coisas vintage. Meu board de shows hoje é simples – Fulltone Octafuzz -> Sweetsound Mojo Vibe -> RMC Wah -> Sabbadius Mr. White II -> Loja da Música Amp Drive -> Retro-Sonic Chorus -> Retro-Sonic Delay. Tudo alimentado por um Voodoo Lab Pedal Power. Adoro o Octafuzz – não apenas o seu “octave-up” maluco, mas o Fuzz normal também. O ‘vibe’ tem grande importância no meu som, e acho que a Sweetsound faz os melhores vibes, por isso sou endorser deles. O Sabbadius Mr. White II é um excelente boost. O Nicolás da Sabbadius conehece muito e é um prazer trabalhar com ele. O pedal Amp Drive me foi presenteado pelo Ronaldo da Loja da Música em Artur Nogueira, SP. Não sei muito sobre o pedal, mas é excelente. Quando abri, o circuito me pareceu algo entre um Tube Screamer e um Rat antigo. O Chorus é uma réplica compacta do Boss CE-1 e o Delay é um clone do DM-2 com alguns melhoramentos, ambos feitos no Canadá.
Pedais & Efeitos: Você tem usado o Mr. White II da Sabbadius em uma parceria com eles, correto? O que tem achado do pedal?

MZ: O pedal coloca um amp Fender ‘blackface’ no 11 quando você pisa; adicionando um ‘ar’ nas notas, mas ainda assim mantendo a transparência. Fiquei impressionado quando testei e tenho deixado ele ligado bastante nos shows. Ele dá uma garra a mais bem legal quando uso ele com meus amplicadores já em volumes altos, e ainda enche o som quando preciso abaixar um pouco.
Pedais & Efeitos: Qual o seu pedal favorito?

MZ: O pedal que mais gosto é o Boss CE-2. O que tenho fica guardado em casa, mas é o chorus mais liquido que já ouvi. Ele dá vida e cor ao timbre junto com o efeito. 

Pedais & Efeitos: Como foi o processo de gravação do Live Studio Sessions?

MZ: O Live Studio Sessions foi gravado ao vivo em um dia nos estúdio COMEP em São Paulo, SP. Eu e o baixista na 398288_381185488599329_1069647896_népoca, o Eder Dias, já vinhamos tocando juntos havia um ano, mais ou menos. O Luis Capano, baterista que pertenceu à banda de 2009-2010, entrou para o time três semanas antes da data que agendei no estúdio. Ensaiamos todos os dias, (exceto sábados e domingos), por duas semanas. Gravei prés em casa no violão, e algumas músicas haviam sido gravadas em estúdio, (hoje elas estão no “The First Takes”).
Como iria ser filmado e gravado ao mesmo tempo, não havia espaço para erros. Não precisava ser assim – poderiamos ter feito overdubs – mas eu queria que fosse de verdade. 85% do disco é improviso. A banda se entendeu e tivemos uma grande experiência lá. Jamais vamos esquecer. Saimos de lá maravilhados com o fato de que conseguimos gravar tudo que haviamos planejado.
Pedais & Efeitos: Qual o seu próximo projeto musical?

MZ: Estou prestes a lançar meu terceiro disco – “In a Minute”. Estou com banda nova, agora com Dú Longuim na bateria e Rodrigo Mantovani no contrabaixo. O disco foi gravado, mixado e produzido pelo Luis ‘Granja’ Venturin e por mim, e masterizado nos EUA pelo Greg Calbi da Sterling Sound New York, (este último já trabalhou com Lenny Kravitz, Paul McCartney, Blood Sweat and Tears, entre outros).
Foi o disco mais caprichado que já gravei, e logo mais deve haver novidades sobre ele no site. Estou produzindo uma série de vídeos sobre as músicas, além de um clipe da faixa de abertura, a música “All the Time”. Devemos começar a turnê do disco novo nos EUA na segunda metade de 2012.
Pedais & Efeitos: Com toda essa revolução(para o bem e para o mal) de Internet, MP3’s, compartilhamentos…Ainda vale a pena lançar discos?

MZ: Não é questão de valer a pena. Um artista precisa gravar material. E se o material é bom e o artista conhece o novo mercado, vale a pena, sim. Hoje, a música tem muito mais um papel promocional do que de produto. O negócio hoje é muito maior do que ‘lançar um disco’. Há que se preocupar com a web, com vídeos, com a marca.  

Entrar num estúdio, gravar e prensar um disco pensando em vender CDs não vale a pena. 

No entanto se o músico fizer um trabalho em que acredita, estuda música, se dedica ao seu instrumento, busca parcerias, estuda o novo mercado digital e entende como usar novas tecnologias, é possível viver de arte.

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1 Comentário

  1. Luiz Carlos Loyola disse:

    Parabéns por trazer a entrevista com esse excelente artista !! Ele está solidificando sua carreira buscando qualidade e isso não é comum. Espero uma nova entrevista trazendo o seu novo projeto…

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