Entrevista: King Pedals

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Entrevista: King Pedals

É muito bacana ver empresas nascendo de forma organizada, com uma proposta bacana e produtos legais. A King Pedals vem se destacando desde o seu início e promete fazer muito barulho no mercado.

Conversamos com o criador da marca, Henrique Corvelo para conhecer suas idéias e projetos para a marca.

Confira!

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Pedais & Efeitos: Henrique, muito obrigado pela entrevista! Como surgiu a ideia de fabricar pedais?

Henrique: Eu que agradeço a oportunidade de poder compartilhar um pouco do nosso trabalho com pessoas de bom gosto, como são os leitores de Pedais & Efeitos!

A ideia de fabricar pedais surgiu mais por uma necessidade pessoal. Na época, há 12 anos, eu não tinha dinheiro para comprar pedais ou uma pedaleira digital, e achava mágico “temperar” o som da guitarra usando as “caixinhas mágicas”. Desde então comecei a pesquisar e estudar eletrônica e nunca mais parei. Dois anos depois recebi minha primeira encomenda, e fiz um Overdrive para um amigo. Foi quando o negócio começou a ficar mais sério.  

Pedais & Efeitos: E como foi o caminho até chegar na King Pedals?  Quanto tempo vocês levaram planejando a marca antes do lançamento?

Henrique: Antes da King Pedals ser a King Pedals, passamos por várias metamorfoses. Eu fabricava pedais somente por encomenda, levavam o nome de “Saint Louis”. Acabei parando durante um tempo e fui trabalhar em outra área, mas como tudo na minha vida gira em torno da música, acabei largando o emprego e abrindo uma loja de 450xNinstrumentos musicais, que se chamava “Blues Guitar Shop”. Mesmo com a loja sempre fabricava pedais, mas dessa vez de uma forma diferente, mais profissional, pois, com a loja tive contato com equipamentos de todos os tipos, conheci o mercado musical através de um novo ponto de vista, entre outras coisas, a partir daí pude perceber a real necessidade e procura dos músicos brasileiros com relação a pedais de boutique. Foi então que decidi fechar a loja pra me dedicar a King Pedals.

As atividades para a King Pedals ser o que é hoje iniciaram em janeiro de 2014. Para fazer tudo se encaixar, levou em torno de seis meses, entre os testes exaustivos e comparações com pedais gringos, testes com os amigos músicos, produção do site, do logotipo e todo o conceito que envolve a King Pedals. 

Pedais & Efeitos: A King lançou três pedais. Quanto tempo você levou no desenvolvimento deles?

Henrique: Eu diria que só com os pedais levei em torno de 4 meses, foi bem exaustivo, pois dediquei quase 100% do meu tempo somente para isso, e quando achava que já estava bom eu ia atrás de algo a mais. Mas acredito que isso valeu a pena e que conseguimos um bom resultado.

Chegava a testar durante horas o mesmo pedal, em alguns momentos largava tudo e ia descansar, voltava e estava tudo diferente, chamam isso de audição saturada. No final das contas acabou dando tudo certo.

Pedais & Efeitos: Você pode falar sobre as características sonoras de cada um deles?

Henrique: Antes de tudo tentamos desenvolver pedais que agradassem a nós e aos nossos amigos músicos. Durante os testes e durante as comparações com outros pedais, que sempre surgem, fomos buscando o melhor som e efeito que cada um tinha para nos oferecer.
A ideia é ter pedais com dinâmica, isso facilita a comunicação de sentimento do guitarrista para o amplificador. Desejamos também desenvolver pedais que realmente pudesse carregar o conceito da King e o que a gente realmente acredita: Sentimento e Música.

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SMALL PANDA

O primeiro deles é o Small Panda, esse pequeno Clean Boost é um pedal que foi projetado por meu pai. A gente desenvolveu ele na bancada usando um transistor FET, forçando ele ao máximo para extrair o máximo de volume.
Queria um boost clean e com força suficiente para saturar um pré de um amplificador valvulado, ou apenas para dar aquele “up” no som da guitarra clean ou para somar com drives na hora de um solo.
Depois de alguns testes e cálculos, chegamos no projeto final do Small Panda.

BLUE DIAMOND

O Blue Diamond é um drive clássico, de timbre transparente e dono de uma dinâmica muito peculiar, pois ele trabalha diretamente com a força que se ataca as cordas. A Magic Switch no caso do Blue Diamond, quando acionada para baixo é “ala TS”, porém sem aquele timbre nasal, com mais volume e um pouco mais de drive.
Com a Magic Switch para cima se tem um Overdrive com mais força e volume, e com um timbre mais aberto. Controlando o Gain com a Magic Switch para cima dá para tirar desde um Clean Boost e até drives mais fortes, ficando no ponto de tocar SRV.
É o pedal do Blues, sem dúvida. Ele agrada geral porque é bastante transparente.

 BLACK HORSE

O Black Horse quando fiz o primeiro protótipo, achava que ele seria o pedal ideal para tocar sons pesados, e que a venda dele seria mais restrita, mas me enganei. É o mais procurado e tem sido assim desde o lançamento.
Fiz ele partindo dos timbres da linha Marshall como o Shred Master, mas assim como no Blue Diamond, o Black Horse sofreu varias alterações e mudanças das quais achei necessárias até chegar no modelo atual.

Tem ganho de sobra, é muito dinâmico e dá para tocar desde o Rock Clássico e chegar até vertentes do Metal por exemplo. A Magic Switch também proporciona dois timbres diferentes, para baixo tem distorção mais comprimida e fechada, para cima é aberta e muito na cara, deixando até uma simples telecaster tradicional com um som verdadeiramente nervoso.

Mas, se quiser descer o drive para tocar um Modern Blues, ele se encaixa perfeitamente, pois é muito versátil.

 

Curiosidade sobre os nomes:

Small Panda – Esse nome surgiu por ele ser um pedal pequeno e nas cores de um urso panda. Depois segui a onda e coloquei no meu ShiTzu o nome de Panda, que também é pequeno, branco e preto.

Blue Diamond – Sempre quando estou trabalhando em um projeto eu penso nele durante todo o tempo, mesmo quando estou relaxando. Um dia estava nadando e o sol estava forte, no meio da piscina eu vi todo o fundo refletindo a luz do sol, estava tudo azul e por algum motivo aquela imagem me lembrou um diamante. Parei no meio da piscina e fui para borda, pedi para buscarem meu celular e anotei o nome, pois sou absurdamente esquecido. Desde então passei a chamar esse drive de Blue Diamond, e assim ficou.

Black Horse – Esse foi engraçado, um amigo foi testar o pedal ainda como protótipo, e logo após plugar a guitarra e tocar por menos de 30 segundos ele simplesmente soltou essa frase: Esse pedal é uma jumenta!

Todo mundo na hora caiu na gargalhada, estávamos atrás de um nome para o pedal, que realmente fosse a cara dele. Acabamos batizando nosso pedal mais nervoso de Black Horse por representar bem o que ele é.

Pedais & Efeitos: Como funciona o processo de Desenvolvimento na King Pedals?

Henrique: O desenvolvimento rola em conjunto, a gente sempre testa vários projetos somente na oficina, já montamos quase de tudo durante esse tempo.
blackQuando a gente decide fabricar um novo modelo a gente leva isso bem a sério, ele é testado de todas as formas, em palco, ensaio, em casa, estúdio e gravações de teste.

Feito isso a gente sempre chama amigos guitarristas para testar e avaliar o efeito, o uso dele como ferramenta de trabalho e também como ele se comporta com todos os tipos de guitarras e combinado com outros efeitos.

Isso leva um tempo, requer paciência e por diversas vezes a gente repete o processo de fabricação do zero testando outras combinações. A gente acredita nisso, que o resultado vem desse esforço.

 

Pedais & Efeitos: Como é escolhido que tipo de pedal vai ser lançado pela marca?

Henrique: A gente gosta de ver a necessidade dos músicos e o que o pessoal está buscando. Mas olhamos também para a questão do mercado e o que ainda não se tem no Brasil.
Existem alguns pedais que ficam somente dentro da oficina, coisas que a gente pensa e desenvolve para ver como fica, que talvez saia em um determinado momento, ou não.
Atualmente estamos levando em conta alguns efeitos que ainda não foram fabricados no Brasil.

Pedais & Efeitos: Qual é o pedal mais vendido da King Pedals?

Henrique: Sem sombra de dúvidas o Black Horse. Todos vendem bem e quase por igual. E o primeiro lote acabou antes do previsto, mas o Black Horse é o mais procurado.

Pedais & Efeitos: Na sua opinião, qual o grande diferencial da King Pedals?

Henrique: Acredito que tem três coisas que fazem toda a diferença, e a gente gosta de levar isso bem a sério: Compromisso, Boas Ideias e Música.

Não tenho como descrever outra fórmula, tudo parte disso, a gente vive isso constantemente e é o que nos move, o que nos faz pensar adiante.
Poderia citar conceitos de ética, coisas que se aprende no curso de administração de empresas como visão, missão e valores. Temos isso, mas a essência da King Pedals parte principalmente disso: Compromisso, Boas Ideias e Música.

O compromisso com a qualidade, desenvolvimento, com os nossos clientes e principalmente com o que a gente realmente acredita.

As boas idéias que vão surgindo e vamos guardando, testando e fazendo disso uma constante evolução, a gente aprende muito fazendo isso.

Música é sentimento, e é o real motivo da King, não tem outro motivo a não ser a música. É o que nos move. 

Pedais & Efeitos: E quais são os projetos futuros da King Pedals? Pode nos adiantar alguma coisa, alguma notícia exclusiva?

Henrique: Podemos dizer que os próximos pedais envolverão modulações, temos trabalhado dia e noite em cima disso, e já está quase tudo pronto para o próximo pedal. Podem aguardar!

Pedais & Efeitos: Henrique, muito obrigado pela entrevista! Quer deixar algum recado pra os nossos leitores?

Henrique: Gostaria de agradecer novamente esse canal de comunicação e divulgação, sei que vocês fazem isso tudo com muito amor, e por amor a música, sentimento que partilhamos com vocês.

Aos leitores, podem aguardar novidades e muita evolução, a gente tem buscado isso. Contem sempre conosco, estamos sempre a disposição de todos! Paz e Boa Música!

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